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Atentado contra a Democracia

O fato ocorrido ontem, quando o Coordenador Geral da Campanha de Wilson Santos, no exercício do cargo de Presidente da METAMAT, coagiu servidores públicos, em nome do Governador do Estado, a participarem de ato de campanha eleitoral, sob pena de exoneração dos cargos, revela-se de mais alta gravidade e merece ser melhor tratada pelos cidadãos e autoridades competentes.

A coação sobre servidores, para que apóiem este ou aquele candidato, não é simplesmente um jogo eleitoral. Ato dessa natureza fere de morte a dignidade da pessoa humana, a cidadania e o sufrágio popular, por lhe retirar o direito à consciência, princípios que fundam a República Federativa do Brasil, conforme estampada no artigo 1º, II,III , V e parágrafo único da Constituição Federal.

É terrível para um funcionário ou qualquer pessoa humana ter sua consciência e liberdade de escolha violentados com a ameaça de lhe retirarem o que mais lhe fere: a possibilidade de alimentar e suprir as necessidades de sua família através do trabalho.

O Estado agindo assim, através de um Coordenador de Campanha, irmão de candidato, ameaçando servidores a votarem no Candidato Wilson Santos, faz lembrar dos currais eleitorais existentes no início do século passado, quando os barões do cacau, do café e do gado, tinham seus trabalhadores como propriedade e nas eleições estes nem pegavam nas cédulas de votação: elas eram preenchidas pelo fazendeiro em favor de seu candidato.

O escritor russo Nikolai Gogol em seu livro Almas Mortas retrata situação semelhante no mundo rural da Rússia semi-feudal, onde os camponeses eram submetidos como “coisa” ou “res” aos latifundiários, sendo partes integrantes da própria terra.

Então, essa prática de ameaçar trabalhadores com a perda do emprego caso não apóiem a candidatura de Wilson Santos, é uma tentativa de reduzi-los a servos de um Estado Feudal que pensávamos já havia acabado no Planeta.

A Declaração Universal dos Direitos Humanos, em seu art. 1º, reza:”Todas as pessoas nascem livres e iguais em dignidade e direitos. São dotadas de razão e consciência e devem agir em relação umas às outras com espírito de fraternidade”.

A indignidade se comete em Mato Grosso, com o aparelhamento do Estado em favor do candidato Wilson Santos também faz lembrar uma das piores fases da história da Humanidade: o Estado Fascista de Benito Mussolini, o qual apregoava a ética mas que em fundamento, aparelhava o organismos de Estado para a eliminação política e física da oposição. Isso está ocorrendo em Mato Grosso, para tristeza de todos.

Portanto, não se trata de simples atos eleitorais ilícitos com a finalidade de alterar o equilíbrio eleitoral com o abuso do poder político: é uma estratégia mais ampla de retroagir no tempo e usar de mecanismos de poder aparentemente já banidos com estruturação do Estado Democrático de Direito. Aliás, é um ataque frontal com o Estado Democrático e isso exige de todos os democratas de Mato Grosso uma reação dura e eficaz para paralisar e exterminar a tentativa de se criar uma ditadura fascista no Centro-Oeste.

Clóvis Figueiredo Cardoso – Presidente do PMDB de Cuiabá

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