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PÓS-PANDEMIA

Novos players fomentam otimismo na cadeia de combustíveis

ÍNTEGRA / FABÍOLA KAREM E SILVA
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Divulgação

Num olhar para além dos efeitos negativos da pandemia, que neste momento reduz sensivelmente o consumo de combustíveis no Brasil, o setor energético fomenta expectativas positivas com anúncios de mercado de que o segmento de refino contará com quatro novos players. Os investimentos programados em regiões estratégicas em consumo e contribuição ao PIB nacional prometem transformar o panorama do setor em longo prazo, estimulando toda a cadeia da infraestrutura e logística no país.

“Nós, como país, vamos sair dessa muito mais competitivos, produtivos, com maior competitividade em termos de combustível e investimento em infraestrutura. É fantástico o que nós vamos viver nos próximos 5 a 10 anos”, destaca Clayton Melo, diretor nacional da Argus Media, agência de levantamento de preços das commodities de combustíveis. O otimismo também encontra espaço na produção nas indústrias de açúcar, que devem ampliar o volume de exportações devido ao aumento da demanda vinda de mercados internacionais, favorecidos pela variação cambial.

Marcelo Castello Branco Cavalcanti, superintendente adjunto de Petróleo da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), lembra que neste momento crítico de pandemia do novo coronavírus, etanol e açúcar estampam faces distintas dentro do contexto econômico. “No setor sucroenergético, são perspectivas diferentes. Com o etanol, a competitividade é dada principalmente pelo mercado doméstico, enquanto que no açúcar, o caminho é dado pelo mercado internacional. Além de impactos na demanda, o contexto trouxe uma desvalorização cambial, o que favorece a exportação do açúcar brasileiro”.

Os dois executivos se uniram a outras lideranças setoriais em novo webinar da Assembleia Permanente pela Eficiência Nacional (Aspen), sob o tema A logística de Armazenagem e Transporte de Combustíveis no Brasil, realizada pelo Instituto Besc de Humanidades e Economia. À frente da Argus Media, Clayton Melo adverte que os investimentos em refinarias são essenciais para que o Brasil, apesar de possuir robusta produção, refinamento e distribuição doméstica de diesel, não venha a depender substancialmente de importações do insumo no futuro.

“Praticamente ¼ do diesel consumido no Brasil é importado. Isso tem várias consequências. A mais importante delas é a de que, com qualquer expectativa da ampliação do consumo de diesel no país e sem uma contrapartida de aumento da capacidade doméstica de refino, o Brasil se tornará cada vez mais deficitário em diesel”.

Desverticalização – A cadeia produtiva de combustíveis também deposita fichas de otimismo na gradual abertura de mercado com o processo de reposicionamento da marca Petrobras no Brasil, deflagrado em 2016, após uma avalanche de operações policiais, e intensificado em 2019, com a redução de investimentos e o anúncio de venda de refinarias. Convite à competitividade no setor, estratégico ao desenvolvimento nacional.

“A competição estimula a maximização de circulação dos produtos”, pontua Hélio Bisaggio, superintendente de Infraestrutura e Movimentação da Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). “O livre acesso é muito importante nessas infraestruturas e a competição ocorre com a garantia ao acesso não discriminatório de todos os agentes a dutos e terminais aquaviários. Em Suape (PE), por exemplo, os 5 terminais possuem 24 clientes distintos no porto, incluindo usinas, distribuidoras, importadoras e a própria refinaria, que se utiliza também de terminais aquaviários para exportar seus produtos. É uma logística integrada que a gente imagina que vai ser cada vez mais necessária no futuro”.

Projeções – A Empresa de Pesquisa Energética (EPE) projeta perdas de receita no mercado nacional de combustíveis da ordem de R$ 54 bilhões no período de 2020 a 2022. As cifras decorrem da queda dramática das vendas nas bombas dos postos de combustíveis e do consumo pelo setor aéreo e consideram, ainda, uma lenta e gradativa recuperação a partir do segundo semestre de 2021.

Os números do setor formam um dos retratos econômicos mais expressivos dos efeitos da pandemia e do distanciamento social ante o novo coronavírus. Conforme dados da Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), disponibilizados pela EPE, as operações de venda de querosene de aviação despencaram 85% no mês de abril, reflexo das baixas na circulação de passageiros. A gasolina comum registrou 29% de queda nas bombas de combustíveis no mesmo período. O óleo diesel, baixa de 14%. Segundo o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), no etanol hidratado, a redução nas comercializações foi de 37%.

“Esse impacto da Covid-19, trazendo toda uma mudança no comportamento da sociedade, no Brasil e no mundo, trouxe diferentes desafios e ações para os setores”, afirma Marcelo Castello Branco Cavalcanti, superintendente adjunto de Petróleo da EPE. Majoritariamente, o consumo de etanol hidratado e gasolina comum é demandado por veículos de passeio e transporte individual, como carros e motos, ou seja, o consumo doméstico. Com o distanciamento social e a adoção do regime de home office em inúmeras empresas e atividades, a demanda por esses insumos energéticos diminuiu, impactando toda cadeia do combustível, desde o refinamento, passando pelo armazenamento, transporte até a comercialização.

A distribuição e revenda também são assoladas pelos efeitos da pandemia, fruto do rearranjo do mercado. Quebra de contratos, renegociações, perdas de receita, elevação momentânea do estoque, entre outros aspectos críticos aos negócios, são a realidade posta neste momento aos agentes de cada elo da cadeia logística do setor.

Websérie – A 16ª webinar realizada pelo Instituto Besc de Humanidades e Economia contou com a mediação do consultor e assessor comercial da Hitlog Participações, Henrique Ribeiro. O conteúdo já está disponível para acesso no canal da organização no Youtube. O evento online acontece às terças-feiras, a partir das 17h (horário de Brasília), aberto ao público.

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