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MICHAEL JACKSON

Qual é o legado do Rei do Pop em 2019?

Montagem

Não é fácil lidar com a morte de um ídolo. Michael Jackson deixou este mundo há exatos dez anos, em 25 de junho de 2009, e sua morte não foi facilmente aceita pelos milhões de seguidores que o músico deixou para trás. Mas hoje, uma década depois, é ainda mais difícil falar sobre o legado de Michael. O sucesso do aclamado documentário Deixando Neverland, lançado no início deste ano, que explora profundamente as alegações de abuso sexual do cantor, deixou seus seguidores ainda mais conflitados.

Existem fãs que vão para sempre negar os relatos das supostas vítimas de Michael Jackson, e enquanto não há provas concretas do comportamento impróprio, esta atitude é, até certo ponto, válida. O caso de Michael Jackson não é o mesmo de Kevin Spacey ou Harvey Weinstein, e por isso há espaço para se confortar na negação. Mas a rediscussão da lembrança do Rei do Pop é uma questão para os que não conseguiram descansar com os depoimentos de Deixando Neverland.

Michael Jackson era indiscutivelmente talentoso. Passar o aniversário de 10 anos de sua morte sem relembrar a sua importância para o mundo em que vivemos hoje seria até estranho. Michael criou uma arte única e contribuiu para diversos segmentos que ultrapassaram o campo da música, e por isso é tão difícil imaginar um mundo em que seu legado seja refutado ou propositalmente deixado para trás. Seria impossível. Com isso em mente, a questão real é como lidar com a herança inevitável e onipresente de Michael, e como se sentir confortável idolatrando o trabalho de uma figura tão polêmica. Para o diretor de Deixando NeverlandDan Reed, lidar com isso requer um confronto pessoal: “Vamos encarar o fato de que como um artista ele era incrível, mas como homem, existem facetas de sua vida que foram realmente inaceitáveis”.

Nós estamos em um período delicado da nossa história e no entretenimento está um dos maiores exemplos de um movimento cobrando novas posturas e comportamentos de figuras poderosas. Curiosamente hoje mesmo, Judi Dench falou em uma entrevista sobre o caso de Weinstein e Spacey [via Deadline]: “Você não pode negar o talento de alguém. É a mesma coisa que nunca mais olhar para uma obra de Caravaggio”. O exemplo do pintor italiano acusado de assassinato em 1606 é apropriado por nos lembrar algo muito pertinente no debate: os tempos mudam. Ainda bem.

A liberdade que Michael Jackson tinha nos anos 80 e 90 não seria mais permitida hoje, e estas são lições que os casos do passado nos deixam. Pode ser que o legado de Michael Jackson continue intacto, mas em 2019 ele está associado a um aprendizado com questões nunca resolvidas. Um conjunto de indivíduos não pode ter a liberdade de ignorar ou acobertar certos comportamentos. Não, você não pode negar o talento de alguém. O que se pode é aprender e evoluir com casos passados, criando um novo cenário para que dúvidas como estas não voltem a nos assombrar.

O caso de Michael Jackson é único porque ele já se foi, e é possível que fiquemos para sempre sem respostas do que realmente aconteceu. Para alguns, isto é desculpa para justificar a negação e ignorar novas evidências. Para outros, é uma oportunidade para entender a separação entre a arte e seu artista, e refletir sobre o importante legado de cada uma destas facetas de Michael.

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