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GRAMPOLÂNDIA PANTANEIRA

Evandro Lesco diz que recebeu ordens para grampear vice-governador

Reprodução

O coronel PM Evandro Lesco, réu em decorrência das escutas ilegais, conhecidas como Grampolândia Pantaneira, foi reinterrogado, nesta terça-feira (16), pelo juiz da 11ª Vara da Justiça Militar, Marcos Faleiros, e revelou que durante o governo de Pedro Taques (PSDB) recebeu ordens do então chefe da Casa Civil, Paulo Taques, primo do governador, para que o vice-governador, Carlos Fávaro (PSD), fosse grampeado.

De acordo com o depoimento de Lesco, o objetivo de Taques, governador, seria checar a movimentação política do vice.

Evandro Lesco foi o segundo a prestar depoimento na tarde de ontem.

O primeiro foi Zaqueu Barbosa, ex-comandante da PM durante a gestão de Taques, que revelou todos os detalhes de como as interceptações telefônicas funcionaram, antes mesmo de Pedro Taques ser o governador do Estado, ainda na campanha eleitoral de 2014.

Evandro Lesco, que foi chefe da Casa Militar, descreveu como foi o momento para tentar grampear o desembargador do Tribunal de Justiça de Mato Grosso, Orlando de Almeida Perri, que é relator do processo da Grampolândia Pantaneira.

 “São fatos que nunca trouxe à lume, nunca revelei e uso dessa oportunidade pra fazer”, disse Lesco.

Orlando Perri não chegou a ser gravado porque o tenente-coronel José Henrique da Costa Soares, escrivão no Inquérito Policial Militar sobre os grampos ilegais no Estado, à época, recuou da proposta e revelou a trama à Polícia Civil.

O militar foi cooptado pelo grupo sob ameaça e proposta de promoção na carreira para gravar uma reunião com Orlando Perri e, assim, obter frases que pudessem levantar a suspeição. Uma câmera chegou a ser acoplada em sua farda.

No dia 27 de setembro de 2017, a Polícia Judiciária Civil realizou a Operação Esdras que levou à cadeia os ex-secretários da Casa Civil, Paulo Taques,  de Justiça e Direitos Humanos, Airton Siqueira Junior, de Segurança Pública, Rogers Elizandro Jarbas, da Casa Militar, Evandro Lesco, o sargento João Ricardo Soler, o major Michel Ferronato e ainda a personal trainer Helen Christy Lesco. Eles foram soltos no dia 31 de outubro pelo ministro Mauro Campbell, do Superior Tribunal de Justiça (STJ).

OUTRO LADO

Pedro Taques nega ter autorizado as escutas ilegais. Ele explicou que a delação premiada é instrumento importante para combater crimes, porém o que é falado pelo delator, precisa ser provado.

“Notadamente em se tratando de delações cruzadas, onde, acusados na mesma ação, acusam um terceiro, sem qualquer prova”, diz.  Pedro Taques reforça que confia na verdade e na Justiça. “Já pedi pra ser ouvido no Ministério Público e na polícia; ninguém está acima da lei. Quando tomei conhecimento dos fatos investigados, pedi providência, imediatamente”, reitera o ex-governador.

O advogado Paulo Taques, ex-secretário-chefe da Casa Civil, afirmou que desde o primeiro interrogatório até este terceiro só trazem versões. “Nenhuma prova. Há mais de dois anos espero para ser ouvido. Tomara que isso ocorra logo, para que eu possa desmentir ponto por ponto do que foi dito contra mim. Isso se não pedirem o quarto interrogatório”, ironizou o advogado. Com Gazeta Digital

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  • 17 de julho de 2019 às 18:53:09
  • 17 de julho de 2019 às 11:26:20