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VLT OU BRT

Justiça suspende bloqueio de R$ 683 milhões do Consórcio VLT em MT

Reprodução

A Justiça de Mato Grosso suspendeu o bloqueio de R$ 683 milhões na conta do Consórcio do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) até que ocorra o pronunciamento definitivo quanto a manutenção ou não do modal.

A Justiça determinou, no dia 25 de fevereiro, o bloqueio em caráter liminar, após ação movida pelo Governo de Mato Grosso para ressarcimento aos cofres públicos pelo não término das obras do VLT em 2014.

A decisão do juiz Bruno D’Oliveira Marques previa ainda que o Consórcio ficasse responsável pela posse, guarda, zelo, conservação e manutenção dos itens adquiridos sem utilidade (material rodante, trilhos, sistemas).

De acordo com a nova decisão do juiz Gerardo Humberto Alves da Silva Junior, a determinação do bloqueio impõe, em desfavor dos réus, medidas extremamente graves e que devem ser cumpridas antes mesmo do julgamento do pedido de reconsideração e do embargo de declaração.

Obras do VLT, paradas há 6 anos, devem ser substituídas por instalação de BRT — Foto: Mayke Toscano/Secom-MT

Obras do VLT, paradas há 6 anos, devem ser substituídas por instalação de BRT — Foto: Mayke Toscano/Secom-MT

O magistrado também criticou os prazos curtos da decisão anterior, como o prazo de 3 dias para posse, guarda e zelo dos vagões, de 5 dias para prestar caução de R$ 683 milhões, 15 dias para remoção do material rodante para a Espanha. e 180 dias para venda dos vagões.

“Também constato que o cumprimento da tutela provisória de urgência, sem que ao menos se julgue os pedidos pendentes [reconsideração e embargo de declaração], impõe ao autor sério risco de arcar com as consequências financeiras da medida, além da reparação por dano processual”, diz trecho da decisão.

Por causa disso, o juiz suspende a decisão do bloqueio até o julgamento do pedido de reconsideração e do embargo de declaração.

Simulação do BRT em MT — Foto: Governo de MT/Reprodução

Simulação do BRT em MT — Foto: Governo de MT/Reprodução

Substituição pelo BRT

Segundo o governo, Mauro Mendes encaminhou um ofício ao ministro do Desenvolvimento Regional, Rogério Marinho, na sexta-feira (18), pedindo autorização para substituir o Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) para a instalação do Ônibus de Trânsito Rápido (BRT) movido a eletricidade.

Também devem analisar a solicitação a Caixa Econômica Federal e o Conselho Curador do FGTS, uma vez que há recursos desses órgãos vinculados ao VLT.

De acordo com o governador, o edital deve ser lançado em maio de 2021. Já a ordem de serviço será dada em agosto, e a previsão para a conclusão das obras é de dois anos.

Segundo Mauro Mendes, o sistema BRT é mais rápido para ser executado, mais barato e mais fácil de ser ampliado.

BRT x VLT — Foto: Governo de MT/Reprodução - Edson Rodrigues/Secopa
BRT x VLT — Foto: Governo de MT/Reprodução – Edson Rodrigues/Secopa

BRT x VLT

A decisão do governador em pedir a substituição levou em conta estudos técnicos elaborados pelo estado e pelo Grupo Técnico criado na Secretaria Nacional de Mobilidade Urbana.

Os estudos concluíram que a continuidade das obras do VLT era “insustentável”, demoraria mais seis anos para conclusão.

O estudo apontou diversos riscos na hipótese de implantação do VLT, segundo o governo. Um deles é o valor da tarifa, que ficou orçada em R$ 5,28, montante muito superior ao do transporte coletivo praticado na Baixada Cuiabana, que é de R$ 4,10.

Já na hipótese de instalação do BRT, a tarifa ficaria na faixa de R$ 3,04.

Outro revés do VLT estaria no subsídio que o Governo de Mato Grosso teria que pagar para que o modal funcionasse: R$ 23,2 milhões por ano.

Com o BRT, a estimativa é que a implantação ocorra em até 22 meses, a partir da assinatura da ordem de serviço para início das obras.

O custo de implantação também é consideravelmente menor. Enquanto o VLT consumiria mais R$ 763 milhões, além do R$ 1,08 bilhão já pago, o BRT está orçado em R$ 430 milhões, já com a aquisição de 54 ônibus elétricos.

O governo de Mato Grosso também vai ajuizar uma ação contra o Consórcio para que as empresas que o integram paguem R$ 676 milhões pelos danos causados.

Obra parada há 6 anos

A obra do VLT completou seis anos parada, na sexta-feira (18). O projeto que já consumiu cerca de R$ 1 bilhão passou por três governos desde 2012. O valor total da obra inicialmente era de R$ 1,4 bilhão, mas mais da metade desse valor já foi gasto e cerca de 50% da obra foi executada.

  • Governo do estado optou pelo VLT no lugar no BRT em 2011, com custo de R$ 600 milhões a mais
  • Consórcio VLT ganhou licitação para fazer a obra em 2012
  • Obras iniciaram em 2012
  • Vagões começaram a chegar em 2013
  • Contrato entre governo e empresa previa conclusão até março de 2014
  • Em dezembro de 2014 a obra paralisou
  • Indícios de fraudes levam PF a fazer operação em 2017
  • Em 2017 governo rescinde contrato com Consórcio VLT

Dinheiro gasto

Mato Grosso deve R$ 563,5 milhões do dinheiro que pegou emprestado para construir a obra do VLT, que deveria ter sido entregue em 2014, para a Copa do Mundo. A dívida será quitada apenas em 2044.

Segundo dados da Secretaria Estadual de Fazenda (Sefaz), entre os três contratos firmados para as obras de mobilidade relativas ao VLT, o estado já pagou mais de R$ 844 milhões.

No entanto, do valor do empréstimo, que foi R$ 1,1 bilhão, mais de R$ 370 milhões foram pagos até novembro deste ano só de juros.

Foram, em média, R$ 14 milhões pagos pelo governo do estado por mês, só de juros.

G1 Mato Grosso

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ÚLTIMA ATUALIZAÇÃO

  • 15 de março de 2021 às 15:12:34