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Cuiabá, quinta, 18 de abril de 2019

CIDADE LIMPA

Coletivo Unegro acusa campanha da prefeitura de Rondonópolis de ser racista

Ana Flávia Corrêa

União de Negros pela Igualdade (Unegro), um coletivo de Rondonópolis (212 km ao sul de Cuiabá), acusa a prefeitura da cidade de criar uma campanha racista. Denominada ‘Cidade Limpa’, a campanha visa incentivar que a população mantenha o aspecto visual da cidade conservado.

Contudo, de acordo com nota emitida pela Unegro nesta terça-feira (2), um dos panfletos do programa contém um homem negro, caracterizado como sujo, enquanto um personagem branco é considerado limpo.

‘Limpinho’ e ‘Sujismundo’ ilustram a campanha e representam cidadãos distintos. O primeiro preocupado com a conservação de Rondonópolis e o segundo que joga lixo na rua e não cuida da cidade.

“A imagem altamente racista humilha e desqualifica a população negra deste município, que tem importantes contribuições na construção desta cidade. Causa espanto e revolta porque esta mesma população negra  tem respeito pela gestão atual, que já se mostrou sensível a luta contra a exclusão e ao abandono relegado aos negros e negras por tantos anos”,  disse o coletivo, em nota.

Para a Unegro, associar a imagem do negro como sujo é uma atitude racista naturalizada, já que uma instituição pública faz uma campanha em nível municipal sem pensar nas consequências que tal atitude pode ter para a população negra.

A reportagem entrou em contato com o secretário de Comunicação de Rondonópolis, Cleomar Pilar, que afirmou que o personagem ‘Sujismundo’ não é negro e sim empoeirado.

“Inclusive temos no mesmo material um personagem negro que está tendo a atitude correta de jogar lixo no lixo. Em momento algum a administração teve a intenção de descriminação”, pontuou.

Confira a nota da Unegro na íntegra: 

“A UNEGRO PANTANAL RONDONÓPOLIS vem a público repudiar veementemente a forma racista imputada aos negros e negras na produção de material impresso da Prefeitura de Rondonópolis em campanha publicitária com cunho educativo.

É que a primeira etapa da campanha denominada Cidade Limpa realizada pela Prefeitura estampa em um panfleto dois personagens, onde o negro é caracterizado como sujo e o outro, branco, onde afirma que é o limpo. 

Na parte superior do impresso um jovem branco tem as seguintes frases no balão: “Oi! Eu sou Limpinho. Estamos limpando e gramando as áreas públicas”. Na parte inferior, do mesmo panfleto, um jovem negro (em imagem retirada na internet, do doloroso e excludente período da ditadura militar) com os seguintes dizeres: “Eu sou o Sujismundo”, “Eu jogo lixo em todas as partes. Eu não cuido da minha casa e nem da minha cidade”. 

A imagem altamente racista humilha e desqualifica a população negra deste município, que tem importantes contribuições na construção desta cidade. Causa espanto e revolta porque esta mesma população negra  tem respeito pela gestão atual, que já se mostrou sensível a luta contra a exclusão e ao abandono relegado aos negros e negras por tantos anos. 

Enfatizamos que não toleramos mais o racismo e, de forma especial, o racismo institucional. A legislação é bem explícita nesse sentido: racismo é crime. 

Associar a imagem do negro como sujo, descuidado e sem higiene é sim uma atitude racista tão naturalizada a ponto de uma instituição publica como uma prefeitura fazer uma campanha em nível municipal sem pensar nas conseqüências de tal atitude para população negra.  

Imagina as crianças negras, o que devem estar vivenciando de bullyng e racismo nas escolas por conta desta campanha? Não se pode criar uma campanha desse porte desqualificando uma etnia pela cor da pele. 

Os negros e negras deste município exigem respeito e e uma reparação por parte da Prefeitura de Rondonópolis. Queremos acreditar que o pefeito José Carlos Junqueira não compactua com tal ofensa à população negra porque, se assim for, teremos que recorrer ao Ministério Público para que faça valer a lei. 

A Constituição Brasileira traz em seu artigo primeiro o compromisso com o princípio da igualdade e da dignidade da pessoa humana. Ao cometer tal discriminação, o município fere a dignidade dos negros e negras deste Município. É, no mínimo, revoltante. 

 

A UNEGRO não pode e não vai compactuar com essa forma de campanha no Município de Rondonópolis.”


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