CIDADE LIMPA

Coletivo Unegro acusa campanha da prefeitura de Rondonópolis de ser racista

União de Negros pela Igualdade (Unegro), um coletivo de Rondonópolis (212 km ao sul de Cuiabá), acusa a prefeitura da cidade de criar uma campanha racista. Denominada ‘Cidade Limpa’, a campanha visa incentivar que a população mantenha o aspecto visual da cidade conservado.

Contudo, de acordo com nota emitida pela Unegro nesta terça-feira (2), um dos panfletos do programa contém um homem negro, caracterizado como sujo, enquanto um personagem branco é considerado limpo.

‘Limpinho’ e ‘Sujismundo’ ilustram a campanha e representam cidadãos distintos. O primeiro preocupado com a conservação de Rondonópolis e o segundo que joga lixo na rua e não cuida da cidade.

“A imagem altamente racista humilha e desqualifica a população negra deste município, que tem importantes contribuições na construção desta cidade. Causa espanto e revolta porque esta mesma população negra  tem respeito pela gestão atual, que já se mostrou sensível a luta contra a exclusão e ao abandono relegado aos negros e negras por tantos anos”,  disse o coletivo, em nota.

Para a Unegro, associar a imagem do negro como sujo é uma atitude racista naturalizada, já que uma instituição pública faz uma campanha em nível municipal sem pensar nas consequências que tal atitude pode ter para a população negra.

A reportagem entrou em contato com o secretário de Comunicação de Rondonópolis, Cleomar Pilar, que afirmou que o personagem ‘Sujismundo’ não é negro e sim empoeirado.

“Inclusive temos no mesmo material um personagem negro que está tendo a atitude correta de jogar lixo no lixo. Em momento algum a administração teve a intenção de descriminação”, pontuou.

Confira a nota da Unegro na íntegra: 

“A UNEGRO PANTANAL RONDONÓPOLIS vem a público repudiar veementemente a forma racista imputada aos negros e negras na produção de material impresso da Prefeitura de Rondonópolis em campanha publicitária com cunho educativo.

É que a primeira etapa da campanha denominada Cidade Limpa realizada pela Prefeitura estampa em um panfleto dois personagens, onde o negro é caracterizado como sujo e o outro, branco, onde afirma que é o limpo. 

Na parte superior do impresso um jovem branco tem as seguintes frases no balão: “Oi! Eu sou Limpinho. Estamos limpando e gramando as áreas públicas”. Na parte inferior, do mesmo panfleto, um jovem negro (em imagem retirada na internet, do doloroso e excludente período da ditadura militar) com os seguintes dizeres: “Eu sou o Sujismundo”, “Eu jogo lixo em todas as partes. Eu não cuido da minha casa e nem da minha cidade”. 

A imagem altamente racista humilha e desqualifica a população negra deste município, que tem importantes contribuições na construção desta cidade. Causa espanto e revolta porque esta mesma população negra  tem respeito pela gestão atual, que já se mostrou sensível a luta contra a exclusão e ao abandono relegado aos negros e negras por tantos anos. 

Enfatizamos que não toleramos mais o racismo e, de forma especial, o racismo institucional. A legislação é bem explícita nesse sentido: racismo é crime. 

Associar a imagem do negro como sujo, descuidado e sem higiene é sim uma atitude racista tão naturalizada a ponto de uma instituição publica como uma prefeitura fazer uma campanha em nível municipal sem pensar nas conseqüências de tal atitude para população negra.  

Imagina as crianças negras, o que devem estar vivenciando de bullyng e racismo nas escolas por conta desta campanha? Não se pode criar uma campanha desse porte desqualificando uma etnia pela cor da pele. 

Os negros e negras deste município exigem respeito e e uma reparação por parte da Prefeitura de Rondonópolis. Queremos acreditar que o pefeito José Carlos Junqueira não compactua com tal ofensa à população negra porque, se assim for, teremos que recorrer ao Ministério Público para que faça valer a lei. 

A Constituição Brasileira traz em seu artigo primeiro o compromisso com o princípio da igualdade e da dignidade da pessoa humana. Ao cometer tal discriminação, o município fere a dignidade dos negros e negras deste Município. É, no mínimo, revoltante. 

 

A UNEGRO não pode e não vai compactuar com essa forma de campanha no Município de Rondonópolis.”

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