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CATÁSTROFE

O presidente Bolsonaro e o projeto de destruição da Amazônia

LULA SAMPAIO/AFP

Depois da semana catastrófica que atingiu em cheio florestas no Brasil, expondo ao mundo a nossa irresponsabilidade para com o meio ambiente, a primeira coisa que é preciso deixar claro quando formos falar do assunto é: a crise ambiental no Brasil não é uma crise, mas um projeto. E um projeto lucrativo para uma pequena parcela da sociedade. Não por acaso o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, tenha dito: “a solução para salvar a Amazônia é monetizá-la”, isto é, transformar a relação entre o ser humano e o meio ambiente uma mera relação financeira.

E é por esta razão que afirmamos que a crise ambiental não é crise, é projeto: é preciso destruir para criar o ambiente propício para a monetização.

E o grande problema é justamente esta monetização do meio ambiente, porque precisa explorar o máximo a fim de gerar lucro – e para gerar lucro é imprescindível a relação predatória. Bolsonaro não vê o meio ambiente numa relação de harmonia com o ser humano. E tanto não vê que não consegue admitir a relação entre os povos indígenas e as suas terras, por exemplo.

E aqui há um ponto relevante: Karl Marx afirma acerca da natureza que

(dizer que) o ser humano vive da natureza significa dizer que a natureza é seu corpo, com o qual ele precisa estar em processo contínuo para não morrer. Dizer que a vida física e espiritual do ser humano está associada à natureza não tem outro sentido do que afirmar que a natureza está associada a si mesma, pois o ser humano é parte da natureza.

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O governo do Bolsonaro não consegue imaginar possível que o ser humano seja parte da natureza, pois, para ele e sua política, a natureza não passa de um produto que deve ser explorado para gerar dinheiro. Não seria de estranhar se, na coleção de bobagens que ele diz, publicasse no Twitter que “essa coisa de proteger meio ambiente é coisa de esquerdista vagabundo”. Inclusive, ele já disse algo parecido quando afirmou que “questão ambiental é para veganos que só comem vegetais”.

Ora, no modo de produção capitalista tudo precisa se transformar em mercadoria – não seria, portanto, diferente com o Meio Ambiente. O valor de uso das coisas não importa, mas tão somente o valor de troca. Sob o capitalismo, o que encontramos é uma desenfreada busca pelo lucro que separa a relação entre o ser humano e a natureza. Esta, por sua vez, por disponibilizar recursos escassos, é vítima de graves agressões decorrentes da mercantilização de todas as relações e meios de vida próprias do modo de produção do sistema político e econômico defendido pelo presidente do Brasil.

Bolsonaro não tem a mínima intenção em preservar o meio ambiente. E não tem não só porque é um irresponsável, mas porque a sua ideologia não permite ter este compromisso. É preciso estar, por exemplo, do lado de extratores ilegais de madeira e dos grileiros, pois deram apoio nas eleições.

O presidente do Brasil e o seu ministro do Meio Ambiente farão o que for preciso para extrair o máximo do meio ambiente, pois este é um projeto político deles que precisa ser aplicado sob pena de não agradar parte considerável de seus eleitores.

Do lado de cá, no entanto, ficamos com o Karl Marx:

Nem a sociedade, nem uma nação ou nem mesmo todas as sociedades juntas são proprietárias do globo. São apenas posseiras. E devemos legá-las em melhores condições às gerações futuras.

A despeito das razões para não crer, é preciso continuar crendo que o Meio Ambiente resistirá bravamente contra as investidas do Bolsonaro e sua equipe.

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  • 2 de setembro de 2019 às 15:59:55